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A gente não quer só bobiça

28 mar

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Na semana passada fomos convidadas pela repórter do DC Cristina Vieira pra falar sério pelo menos uma vez na vida participar de uma série de reportagens sobre a mulher do futuro. Na última, publicada nesse domingo no Donna DC, nosso objetivo era falar sobre a mulher na cultura.

A íntegra da reportagem (com direito a vídeo embaraçoso no final) você pode ler aqui. Mas achamos que a entrevista nos deu a oportunidade de discutir temas tão bacanas que decidimos publicar nossa parte aqui no Donde, ó:

Pagando de meninas sérias, em foto do ótimo Henrique Pereira

1 – Imaginem o ano de 2040. Como vcs acham que as mulheres vão se vestir? Como será a relação com moda? Menos submissas às tendências ou ainda mais escravas?

A tendência é as pessoas ficarem cada vez mais individualistas, adaptáveis, migratórias. Isso significa que elas não estarão presas a um estilo só ou ao que é ditado pela moda. Fala-se até na extinção das tendências, e nós acreditamos nisso. Cada vez mais o bacana é ser diferente, original. Isso já virou um clichê enorme, mas é verdade: as pessoas não querem mais ser rotuladas como parte de um “grupo”, uma “tribo”. Querem ser únicas, e daqui a 30 anos vão ter mais liberdade pra fazer suas escolhas.

2 – Falando de artes (música, cinema, literatura), que tipo de paradigmas vocês acreditam que precisamos quebrar?

O de que “as pessoas daqui estão querendo copiar o que vem de fora”. Que “a moda brasileira não é autêntica porque não tem identidade brasileira”, assim como a música, o cinema, etc. Temos uma identidade mundial – o que é ainda melhor. O que acontece é que estamos todos em pé de igualdade – de informação, de sensibilidade. E é natural sentir as mesmas coisas, e consequentemente, produzir parecido. O inconsciente coletivo vai além da nossa fronteira.

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3 – Acreditam que teremos uma produção artística direcionada ao público feminino?

Esperamos que não. Achamos bobagem segregar “feminino x masculino”, “gueto x mainstream”, “coisa de viado x coisa de hetero”, etc. Ainda mais em se tratando de produção artística, quanto mais intercâmbio, quanto mais mistura houver, melhor. A arte tem que ser feita por pessoas e pra pessoas – não para “mulheres”. É isso que fazemos com o Donde, inclusive. Apesar muitos dos temas serem aparentemente do universo feminino, nosso publico não é só esse. Temos muitos homens, héteros, “machos”, lendo e comentando por lá. Temas como design, fotografia, arte e comportamento, são universais.

4 – E vocês, blogueiras, em que lugar imaginam estar daqui a 30 anos?

Em 30 anos os blogs já vão ter desaparecido ou evoluído pra alguma coisa completamente diferente, que nem imaginamos agora. E o Donde vai estar em outra plataforma – ou não, quem vai saber? O fato é que hoje em dia qualquer um pode produzir conteúdo. Isso foi revolucionário, mas acabou gerando um bombardeio de informações superficiais, repetitivas, óbvias. O que provavelmente teremos é uma volta da valorização dos profissionais, o crédito a quem sabe do que está falando. E esse será o nosso fin~ Tomara que a gente esteja nesse grupo.

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Viu mãe, a gente sabe falar sério também!

Agora, de volta à nossa programação normal.

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Bia et Julie

Donde Entrevista: Copacabana Club

24 mar

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Os Copas são ótemos, fizeram um show incrível e acharam nossa entrevista legal. Estamos felizes.

~fin

 

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Bia et Julie

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